lunes, abril 16, 2012

Aniversario del nacimiento de Alberto Caeiro


85 versos y fragmentos de Alberto Caeiro da Silva para conmemorar el aniversario de su nacimiento —de acuerdo con el horóscopo hecho para él por Fernando Pessoa— acaecido en Lisboa el 16 de abril de 1889 a la 1:45 p.m..

De "O Guardador de Rebanhos" // "El guardador de rebaños"

1. «Pensar incomoda como andar à chuva /  quando o vento crece e parece que chove mais.» // «Pensar incomoda como ir bajo la lluvia / cuando el viento crece y parece llover más.»

2. «Não tenho ambições nem desejos. / Ser poeta não é uma ambição minha. / É a minha maneira de estar sozinho.» // «No tengo ambiciones ni deseos. / Ser poeta no es una ambición mía. / Es mi manera de estar solo.»

3. «Amar é a eterna inocência, / e a única inocência é não pensar…» // «Amar es la eterna inocencia, / y la única inocencia es no pensar…»

4. «Há metafísica bastante em não pensar em nada.» // «Hay metafísica de sobra en no pensar en nada.»

5. «O único sentido íntimo das coisas / é elas não terem sentido íntimo nenhum.» // «El único sentido íntimo de las cosas // es que ellas no tienen sentido íntimo alguno.»

6. «Pensar em Deus é desobedecer a Deus, / porque Deus quis que o não conhecêssemos, / por isso se nos não mostrou…» // «Pensar en Dios es desobedecer a Dios, / porque Dios quiso que no lo conociésemos, / por eso no se nos mostró…»

7. «porque eu sou do tamanho do que vejo / e não do tamanho da minha altura…» // «porque soy del tamaño de lo que veo, / y no del tamaño de mi altura…»

8. «Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido.» // «Pensar una flor es verla y olerla / y comer un fruto es saber su sentido.»

9. «Nunca ouviste passar o vento. / O vento só fala do vento. / O que le ouviste foi mentira,/ e a mentira está em ti.» // «Nunca oíste pasar el viento. / El viento habla solamente del viento. / Lo que le oíste fue mentira, / y la mentira está en ti.»

10.  «Leve, leve, muito leve, / um vento muito leve passa, / e vai-se, siempre muito leve. / E eu não sei o que pensó / nem procuro sabê-lo.» // «Leve, leve, muy leve, / un viento muy leve pasa, / y se va, siempre muy leve. / Y yo no sé lo que pienso / ni procuro saberlo.»

11. «Não me importo com as rimas. Raras vezes / há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.» // «No me importan las rimas. Raras veces / hay dos árboles iguales, uno al lado del otro.»

12. «e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, / e que o poente é belo e é bela a noite que fica…» // «y cuando hay que morir, recordar que el día muere, / y que el poniente es bello y que es bella la noche que permanece…»

13. «O meu olhar azul como o céu / é calmo como a água ao sol. / É assim, azul e calmo, / porque não interroga nem se espanta…» // «Mi mirar, azul como el cielo, / es calmo como el agua al sol. / Es así, azul y calmo, porque ni interroga ni se asombra…»

14. «O essencial é saber ver, (…) // Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), / isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender» // «Lo esencial es saber ver, (…) // Pero eso (¡tristes de nosotros que llevamos el alma vestida!), / eso exige un estudio profundo, / un aprendizaje de desaprender»

15. «As bolas de sabão que esta criança / se entretém a largar de uma palhilnha / são translucidamente uma filosofia toda.» // «Las pompas de jabón que este niño / se entretiene soplando por una pajita / son, translúcidamente, toda una filosofía.»

16. «Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!» // «¡Qué difícil ser justo y no ver sino lo visible!»

17. «Bendito seja eu por tudo quanto não sei. / É isso tudo que verdadeiramente sou. / Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.» // «Bendito sea yo por cuanto no sé. / Eso es todo cuanto verdaderamente soy. / Y gozo de todo ello como quien sabe que el sol existe.»

18. «Os poetas místicos são filósofos doentes, / e os filósofos são homens doidos.» // «Los poetas místicos son filósofos enfermos, / y los filósofos son hombres que están locos.»

19. «Sou místico, mas só com o corpo. / A minha alma é simples e não pensa.» // «Soy místico, pero sólo con el cuerpo. / Mi alma es simple y no piensa.»

20. «O meu misticismo é não querer saber. / É vivir e não pensar nisso.» // «Mi misticismo es no querer saber. / Es vivir y no pensar en ello.»

21. «Todo o mal do mundo vem de nos importarmos, uns com os outros, / quer para fazer bem, quer para fazer mal. / A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.» // «Todo el mal del mundo viene de preocuparnos los unos por los otros, / para hacer bien, o para hacer mal. / Nuestra alma y el cielo y la tierra nos bastan.»

22. «E há poetas que são artistas / e trabalham nos seus versos / como um carpinteiro nas tábuas!…» // «¡Y hay poetas que son artistas / y trabajan sus versos / como un carpintero a sus tablas!…»

23. «As coisas são o único sentido oculto das coisas.» // «Las cosas son el único sentido oculto de las cosas.»

24. «A borboleta é apenas borboleta / e a flor é apenas flor.» // «La mariposa tan solo es mariposa, / y la flor es tan solo flor.»

25. «Assim é a acção humana pelo mundo fora. / Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos; / e o sol é sempre pontual todos os días.» / «Así es la acción humana en el mundo exterior. / Nada quitamos ni añadimos; pasamos y olvidamos; / y el sol es siempre puntual todos los días.»

26. «O que foi não é nada, e lembrar é não ver.» // «Lo que fue no es nada, y recordar es no ver.»

27.«Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!» // «¡Pasa, ave, pasa, y enséñame a pasar!»

28. «A Natureza é partes sem um todo.» // «La Naturaleza es partes sin un todo.»

29. «Passo e fico, como o Universo» // «Paso y me quedo, como el Universo.»

30. «sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito, / e lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.» // «sentir la vida correr a través mío como un río por su lecho, / y afuera un gran silencio como un dios que duerme.»


De. "O pastor amoroso" // "El pastor amoroso"



31. «Penso em ti e dentro de mim estoy completo.» // «Pienso en ti y dentro de mí estoy completo.»

32. «Penso em ti, murmuro o teu nome; não sou eu: sou feliz.» // «Pienso en ti, murmullo tu nombre; no soy yo: soy feliz.»

33. «Quem ama é diferente de quem é. / É a mesa pessoa sem ninguém.» // «Quien ama es diferente de quien es. /  Es la misma persona sin nadie.»

34. «Todo eu sou qualquier força que me abandona. / Toda a realidade olha para mim como um girasol com a cara dela no meio.» // «Todo yo soy una fuerza que me abandona. / Toda la realidad me observa como un girasol con su rostro en el centro.»

35. «Eu não sei falar porque estou a sentir.» // «Yo no sé hablar porque estoy sintiendo.»



De "Poemas inconjunctos" // "Poemas inconjunctos"


36. «Aquí há só a estrada antes da curva, e antes da curva / há a estrada sem curva nenhuma.» // «Sólo existe aquí el camino antes de la curva, y antes de la curva / está el camino sin curva alguna.»

37. «Basta existir para se ser completo.» // «Basta existir para ser completo.»

38. «Outras vezes oiço passar o vento, / e acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.» // «Otras veces oigo el pasar del viento, / y descubro que sólo para oír el pasar del viento vale la pena haber nacido.»

39. «Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.» // «Nada vuelve, nada se repite, porque todo es real.»

40. «nunca fui senão uma criança que brincava. / Fui gentio como o sol e a água, / de uma religião universal que só os homens não têm.» // «nunca fui sino un niño que jugaba. / Fui feligrés como el sol y el agua, / de una religión universal que sólo los hombres no profesan.»

41. «Sentir é estar distraído.» // «Sentir es estar distraído.»

42. «Sinto uma alegria enorme / ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.» // «Siento una alegría enorme / al pensar que mi muerte no tiene importancia alguna.»

43. «Si, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografía, não há nada mais simples. / Tem só duas datas –a da minha nacença e a da minha morte. / Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.» // «Si, después de morir yo, quisieran escribir mi biografía, / nada hay más simple. / Tiene solamente dos fechas –mi nacimiento y mi muerte. / Entre una y otra cosa todos los días son míos.»

44. «Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. / Ambos existem, cada um como é.» // «Un día de lluvia es tan bello como un día de sol. / Ambos existen, cada uno a su modo.»

45. «A Natureza nunca se recorda, e por isso é bela.» // «La Naturaleza nunca se recuerda, y por eso es bella.»

46. «Ai de ti e de todos que levam a vida / a querer inventar a máquina de fazer felicidade!» // «¡Ay de ti y de todos quienes se pasan la vida / tratando de inventar la máquina de fabricar felicidad.»

47. «Ser real é a coisa mais nobre do mundo.» // «Ser real es la cosa más noble del mundo.»

48. «Olho, e as coisas existem. / Penso e existo só eu.» // «Miro, y las cosas existen. / Pienso y existo solamente yo.»

49. «A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas / age como um deus doente, mas como um deus.» // «El niño que piensa en hadas y que cree en las hadas / actúa como un dios loco, pero como un dios.»

50. «A Realidade é apenas real e não pensada.» // «La Realidad es tan solo real, no pensada.»

51. «A noite não anoitece pelos meus olhos. / A minha ideia de noite é que anoitece por meus olhos.» // «La noche no anochece a través de mis ojos. / Es mi idea de noche la que, a través de mis ojos, anochece.»

52. «Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento, / assim faltam os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.» // «Así como nos fallan las palabras cuando queremos expresar cualquier pensamiento, / así faltan los pensamientos cuando queremos pensar cualquier realidad.»

53. «A única afirmação é ser. / E só o afirmativo é o que não precisa de mim.» // «La única afirmación es ser. / Y lo afirmativo es, simplemente, lo que no precisa de mí.»

54. «Se há outras matérias e outros mundos – / haja.» // «Si existen otras materias y otros mundos – / que existan.»

55. «Ser real quer dizer não estar dentro de mim.» // «Ser real significa no estar dentro de mí.»

56. «Se a alma é mais real / que o mundo exterior, como tu, filósofo, dizes, / para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade?» // «Si el alma es más real / que el mundo exterior, como tú dices, filósofo, / ¿para qué me fue dado el mundo exterior como modelo de realidad?»

57. «Pouco me importa. / Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.» // «Poco me importa. / Poco me importa ¿qué? No lo sé: poco me importa.»

58. «A guerra, que aflige com os seus esquadrões o mundo, / é o tipo perfeito do erro da filosofia.» // «La guerra, que aflige con sus escuadrones al mundo, / es el ejemplo perfecto del error de la filosofía.»

59. «A química directa da natureza / não deixa lugar vago para o pensamento.» // «La química directa de la naturaleza / no deja lugar vago para el pensamiento.»

60. «Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem. / Paz à essência inteiramente exterior do Universo!» // «Paz a todas las cosas prehumanas, incluso en el hombre. / ¡Paz a la esencia completamente exterior del Universo!»

61. «Todas as opiniões que há sobre a Natureza / nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.» // «Todas las opiniones que existen sobre la Naturaleza / no hicieron nunca crecer una hierba o nacer una flor.»

62. «Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito / tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem. / Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas.» // «Cierro los ojos y la tierra dura en que me tiendo / tiene una realidad tan real que incluso mi dorso la siente. / No necesito de raciocinio donde tengo espalda.»

63. «A tua beleza para mim está em existires. / A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.» // «Para mí tu belleza está en que existes. / Tu grandeza en que existes por completo sin mí.»

64. «Tudo é nada sem outra coisa que não é.» // «Todo es nada sin otra cosa que no es.»

65. «Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.» // «El cristianismo todo es un sueño de sillas.»

66. «E como a alma é aquilo que não aparece, / a alma mais perfeita é aquela que não aparece nunca» // «Y como el alma es aquello que no aparece, / el alma más perfecta es aquella que no aparece nunca.»

67. «Que disto tudo só fica o que nunca foi: / porque a recompensa de não existir é estar sempre presente.» // «Que de todo esto solo resta lo que nunca fue: / porque la recompensa de no existir es estar siempre presente.»

68. «Se ninguém condecora o sol por dar luz, / pra que condecoram quem é herói?» // «Si nadie condecora al sol por darnos luz, / ¿para qué condecoran a los héroes?»

69. «Durmo com a mesma razão com que acordo / e é no intervalo que existo.» // «Duermo con la misma razón con que despierto / y es en el intervalo que existo.»

70. «Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente / e ter uma noção do seu perfume nas nossas ideias mais apagadas.» // «Gozar una flor es estar a su lado inconscientemente / y tener una noción de su perfume en nuestras ideas más tenues.»

71. «Não tenho pressa. Pressa de qué? / Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.» // «No tengo prisa. ¿De qué? / No tienen prisa el sol ni la luna: son precisos.»

72. «Contenta-me ver com os olhos e não com as páginas lidas.» // «Me complace ver con los ojos y no con las páginas leídas.»

73. «Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande, / sou verdadeiro e leal ao que vejo e ouço.» // «Igual que un niño antes de que le enseñen a ser grande, / soy veraz y leal con cuanto veo y oigo.»

74. «Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro. / Não acredito que eu exista por detrás de mim.» // «No sé qué es conocerme. No veo hacia adentro. / No creo que yo exista por detrás de mí.»

75. «Se nasci para falar, tenho que falar uma língua.» // «Si nací para hablar, he de hablar una lengua.»

76. «Nunca busquei viver a minha vida. / A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse. / Só quis ver como se não tivesse alma. / Só quis ver como se fosse apenas olhos.» // «Yo nunca busqué vivir mi vida. / Mi vida se vivió sin yo quererlo o no quererlo. / Sólo quise ver como si no tuviese alma. / Sólo quise ver como si yo fuese solamente ojos.»

77. «Não é bastante não ser cego / para ver as árvores e as flores. / É preciso também não ter filosofia nenhuma.» // «No es suficiente no ser ciego / para ver los árboles y las flores. / Es preciso además, no tener filosofía alguna.»

78. «Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre — / vou onde o vento me leva e não me deixo pensar.» // «Así ha sido siempre mi vida, y quiero que así pueda ser siempre — / voy donde el viento me lleva y no me dejo pensar.»

79. «Ter certeza é não estar vendo.» // «Tener certeza es no estar viendo.»

80. «Há em cada coisa aquilo que ela é que a anima.» // «Hay en cada cosa aquello que ella es y la anima.»



De otros fragmentos y prosas atribuidas a Alberto Caeiro


81. «Quem tem as flores não precisa de Deus.» // «Quien tiene flores no necesita a Dios.»

82. «E tudo o que se sente directamente traz palavras suas.» // «Y todo lo que se siente directamente trae consigo sus palabras.»

83. «Diferente de tudo, como tudo.» // «Diferente a todo, como todo.»

84. «Só a prosa é que se emenda. O verso nunca se emenda. A prosa é artificial. O verso é que é natural.» // «Sólo la prosa se enmienda. El verso nunca se enmienda. La prosa es artificial. Es el verso lo que es natural.»

85. «Falamos, sim, em verso sem rima nem ritmo, com as pausas do nosso fôlego e sentimento.» // «Hablamos, sí, en verso sin rima ni ritmo, con las pausas de nuestra respiración y sentimiento.»