viernes, octubre 26, 2012

Campana de mi aldea - Fernando Pessoa

(¡Oh campana de mi aldea,)

[sin fecha]

¡Oh campana de mi aldea,
doliente en la tarde calma,
cada campanada tuya
suena dentro de mi alma!

Y es tan lento tu sonar,
como tan triste de la vida,
que ya la primera tonada
suena como repetida.

Por más que me tañas cerca
cuando paso, siempre errante,
eres para mí como un sueño.
Me suenas en el alma distante.

A cada tonada tuya
vibrante en el cielo abierto,
más lejos siento el pasado,
la saudade más cerca siento.

Texto original:

Ó sino da minha aldeia, / Dolente na tarde calma, / Cada tua badalada / Soa dentro da minha alma. // E é tão lento o teu soar, / Tão como triste da vida, / Que já a primeira pancada / Tem o som de repetida. // Por mais que me tanjas perto / Quando passo, sempre errante, / És para mim como um sonho. / Soas-me na alma distante. // A cada pancada tua / Vibrante no céu aberto, / Sinto mais longe o passado, / Sinto a saudade mais perto.

Tomado de:

  • Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 93. 1ª publicación en Renascença. Lisboa. Feb. 1924.