domingo, enero 04, 2015

[El último año de Pessoa(s); día 36]


[El último año de Pessoa(s); día 36]
4/1/1935

Poemas y fragmentos heterónimos - Álvaro de Campos

* * *

Yo, yo mismo...
Yo, lleno de todos los cansancios
cuantos el mundo puede dar.
–Yo–...
Todo en últimas, porque todo es yo,
e incluso las estrellas por lo que parece,
han salido de mi mochila para deslumbrar niños...
Qué niños, no lo sé...
Yo...
¿Imperfecto? ¿Incógnito? ¿Divino?
No lo sé...
Yo...
¿Tuve un pasado? Sin duda...
¿Tengo un presente? Sin duda...
¿Tendré un futuro? Sin duda...
Puede que la vida pare dentro de poco...
Pero yo, yo...
Yo soy yo,
yo permanezco yo,
Yo...


Fernando Pessoa, 4-1-1935
Traducción de Carlos Ciro

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar.—
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...


* * *


2 comentarios:

guillem dijo...

As tuas traduçoes sao impecáveis. Com cuidado e precisao e respeitando o ritmo pessoano.
Nesse poema, por que você traduziu "Afinal tudo, porque tudo é eu" por
"Todo en últimas, porque todo es yo" e nao "en fin...". É uma pergunta desde a minha ignorância. Eu sou sòmente um amante de Pessoa.

Carlos Ciro dijo...

Guillem. Muito obrigado pelas suas palavras generosas e amáveis. A minha eleição da tradução "en últimas" para "Afinal" foi um desejo de por o "todo" mais visível na frase e deixar luzir melhor o sentido de conclusão do verso. Em ultimas, as expressões, em espanhol, são praticamente, equivalentes.